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Náutico x Ceará: O dia que a Arena de Pernambuco se vestiu de Aflitos

Written by Bruno Ferreira | 20/out/2016 17:00:00

Crédito foto: Reprodução Facebook oficial do clube

Peguei uma carona na Praça do Carmo, Olinda, às 15h. O clássico nordestino, Náutico x Ceará, só começaria às 18h30, mas devido à longa viagem até a Arena de Pernambuco e o trânsito infernal em dia de jogo, decidimos chegar mais cedo. O carro seguiu e a gente não parava de falar do Náutico e do jogo de mais tarde. Só paramos no posto de gasolina para abastecermos o carro e nos abastecer com latões de cerveja, saco de gelo e amendoim, tudo que um bom torcedor ama. “O ruim de ir para Arena de carro é que alguém tem que se sacrificar para o divertimento de todos”, lamentou o motorista e dono do carro por não poder beber. Em sua homenagem, fizemos um brinde e um voto de silêncio por um minuto antes de chegar ao nosso destino, a Arena de Pernambuco.

Crédito foto: Bruno Ferreira | Esportudo.com

Ao chegar na Arena, fiquei surpreso. Aquele clima de teatro trevoso, que me dava sensação de tédio, não existia. Som alto de mala de carro, cheiro de churrasco e ambulantes vendendo cervejas e grito de guerra dos alvirrubros por toda a parte. Era o dia mais ‘’aflitos’’ que eu já tinha visto na Arena. Depois de estacionarmos o carro, pegamos nosso cooler e ficamos perto da bilheteria que seria, a princípio, o nosso ponto de encontro.

O movimento, apesar de cedo, era grande. Muita gente, me incluo, que deixou de ir a campo estava lá com um sorriso, abraços e um grito de “Ene” na garganta. “Tu veio pé frio? O Náutico vai perder”, era o que mais se ouvia naquela tarde. Mas a confiança estava estampada no semblante de cada alvirrubro, dos otimistas aos corneteiros. Lembrei que estava na maldita Arena quando vi que a setorização ia me separar de alguns amigos. Consegui trocar meu Inferior Sul pelo Superior Leste, a visão podia não ser a mesma, mas a sensação de ver o jogo ao lado dos amigos é insubstituível.

 

A lua era enorme e brilhava no céu quando decidimos entrar. Virei o último latão de cerveja e entrei no ponto. Escolhemos ficar no último degrau para nos encostarmos no vidro de segurança e assistir ao jogo em pé, mas o jogo mal começou e já pude ouvir os gritos de “SENTA! ”, dos “donos da arena”. Sentei, comprei meu copo de cerveja por R$ 6 e vi um jogo nervoso, tenso, de muita marcação e cera, principalmente, por parte do Ceará.

Crédito foto: Bruno Ferreira | Esportudo.com

No segundo tempo, comecei a ficar angustiado porque o gol não saía e perguntava a toda hora os minutos da partida. Comecei a ficar mais nervoso quando eu vi meia dúzia de gente indo embora decretando, para eles, o fim da partida, mas os que ficaram foram premiados com o gol no último minuto de Igor Rabello. Saímos eufóricos ecoando o grito de guerra por toda parte, a buzina tocava o “vai dançar” e o frevo Timbu Coroado gritava na saída da Arena de Pernambuco. Foi a noite dos pés frios que ficaram até o fim, a noite de lua cheia, noite de Aflitos na Arena.

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