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Fábio Carille x Rogério Ceni – A influência de um técnico

Written by João Pedro Calachi | 29/mai/2017 10:03:00

Crédito foto: Getty Images / Divulgação / Ag. Corinthians / Rodrigo Gazzanel

O futebol brasileiro definitivamente não é referência no que diz respeito a manutenção de seus técnicos. Ano após ano demissões injustas e até incompreensíveis se repetem, muito em contraponto ao europeu, e trazem ao cenário brasileiro uma certa dificuldade em entender a real interferência do treinador para o sucesso, ou não, de seu clube. Atualmente, São Paulo e Corinthians, muito em função da falta de bons "professores" no mercado, lançaram e apostaram em dois profissionais da nova geração, estudados e com uma visão mais teórica e estratégica do jogo, mas que nesse meio de ano já vivem situações diferentes. Rogério Ceni, ex-goleiro e ídolo maior de seu clube, com vasta experiência como jogador e gigantesca vivência no meio, e Fábio Carille, auxiliar técnico Alvinegro nos últimos oito anos, participando de conquistas como Mundial de Clubes de 2012, estão apenas iniciando suas carreiras como comandantes, ainda assim, servem de referência para analisar a importância do cargo e seus desafios.

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Fábio Carille começou o ano de 2017 cercado de muita desconfiança. Pautado na forma de jogar de Tite, o comandante aceitou a suposta posição de discípulo do atual treinador da Seleção Brasileira, e com isso teve sua personalidade e capacidade postas em xeque no início da temporada. Entretanto, Carille não é um novato na área. O ex-zagueiro e lateral esquerdo foi importante peça nas históricas passagens de Tite no comando Alvinegro, era ele o responsável por organizar o setor defensivo do time, que veio a ter como principal força e característica tomar poucos gols.

Após um ótimo trabalho no estadual de 2017, coroado com o título contra a Ponte Preta, Fábio mostrou que pode ser muito bom treinador. Mantendo as características da era Tite, em 28 jogos no ano sofreu apenas 16 gols, soube administrar um time com poucas peças, combinar jogadores rodados, como Jadson, que chegou para conforto do meio campo corintiano, com garotos da base que se tornaram importantes peças do elenco, como Arana e Maycon, e com isso fez da equipe se não brilhante, muito efetiva, conseguindo extrair de Jô, Rodriguinho e Cássio o melhor futebol.

Rogério Ceni, por outro lado, começou a temporada cercado por dúvidas. Como goleiro foi excelente dentro e fora de campo, multicampeão e um líder absoluto. Porém, como técnico demonstra nesse começo estar com dificuldades, que são normais, visto que é sua primeira experiência no cargo, mas que não parecem estar sendo bem interpretadas pelo comandante, que por muitas vezes, prefere se apegar a números e fatos isolados de um jogo do que reconhecer que o time está mal treinado, organizado ou pouco motivado. Com um estilo de jogo pautado no futebol moderno, na troca de passes e no jogo ofensivo, Rogério tem suas ideias muito bem definidas em sua cabeça, mas a princípio não consegue passar tal forma de jogar de maneira precisa a seus jogadores. A incompreensão desse modelo se mostrou muito evidente principalmente durante o Campeonato Paulista, no qual o time mesmo fazendo 33 gols tomou 23 em 16 jogos, muitos resultantes de falhas individuais no campo de defesa - frequentes em times que adotam estilo de jogo semelhante e não conseguem ter rendimento tático estável.

Diferente do começo de ano, o time aparenta, após as eliminações na Sul-Americana e Copa do Brasil, estar agora com dificuldades para transformar a sua posse de bola em passes agudos, que rompam as linhas de defesa e criem chances de gols, como no jogo contra o Cruzeiro, no Morumbi, em que a equipe ficou 65% do tempo com a bola, travou um jogo quase todo entre o meio de campo e intermediárias e perdeu por 2 a 0 com dois gols de bola parada. Assim, com um elenco incompatível à fase do time, com boas peças, Rogério não consegue extrair de seus jogadores o melhor que podem apresentar. Atletas como Maicon, Buffarini, Jucilei e Wellington Nem estão muito abaixo do que podem apresentar e isso não se trata exatamente de má vontade do treinador, mas revela a falta dessa virtude e a incapacidade por parte de sua comissão em lidar com o psicológico dos jogadores para extrair o máximo potencial de cada um.

Crédito foto: Divulgação / Ag. Corinthians / Rodrigo Gazzanel

Logicamente, Fábio Carille e Rogério Ceni estão no começo de suas carreiras e apresentam dificuldades que podem vir a ser contornadas no futuro. Porém, um ponto de destaque é a influência que estão exercendo em seus times. Ambos começaram a temporada com parâmetros e objetivos parecidos, mas já mostram a diferença que o bom desempenho de um técnico exerce no rendimento do clube. A capacidade de extrair o melhor de cada e de organizar e transmitir essa organização para os jogadores mostrou ser o diferencial quando uma filosofia de jogo é claramente implantada. Por enquanto, a experiência de Carille, absorvida durante os anos em que foi auxiliar, vem tendo mais efeitos positivos do que a grande aposta em Ceni, que tem tudo para se tornar um ótimo profissional na área, mas que ainda peca em pontos importantes.

Dessa forma, o comparativo entre os dois, com equipes muito semelhantes, esclarece um pouco a influência que o treinador exerce em seu time e mostra, em tempos de um futebol muito estudado, que determinar um padrão tático ainda não é a única função ou desafio de um treinador.

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