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title: "Em exclusiva, Letícia Hage fala sobre jogar no Fluminense: “é surreal”"
description: Em entrevista exclusiva ao Esportudo, Letícia Hage, meio de rede do Fluminense, conta sobre trajetória, Seleção Brasileira e seu momento no clube carioca.
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# [Em exclusiva, Letícia Hage fala sobre jogar no Fluminense: “é surreal”](https://blog.esportudo.com/em-exclusiva-leticia-hage-fala-sobre-jogar-no-fluminense-e-surreal)

 Written by [Alexandre Muller](https://blog.esportudo.com/author/alexandre-muller) | 21/fev/2017 21:00:00

Crédito foto: Divulgação / CBV

Nossa entrevistada do momento é Letícia Hage, meio de rede do Fluminense que disputa atualmente a Superliga feminina de vôlei e vem chamando a atenção pela grande atuação. Humilde e otimista, Letícia falou em uma [exclusiva](https://blog.esportudo.com/em-entrevista-exclusiva-naty-graciano-fala-sobre-o-crossfit-no-brasil) com o Esportudo sobre diversos assuntos: Seleção, Sul-americano, Mundial Juvenil, sua trajetória, Superliga e o seu maior sonho. Venha conhecer um pouco mais sobre umas das melhores bloqueadoras da competição.

## **Trajetória **

Crédito foto: Divulgação / FIVB

A jogadora, que é natural de Araraquara, começou neste esporte muito cedo. “Eu com 14 anos já jogava no time da minha cidade. Aos 16, fiz uma peneira em São Caetano e acabei passando.” Ainda despretensiosa, Letícia mal podia imaginar o que o mundo das quadras lhe resguardava. “Fiquei em São Caetano nas categorias de base (infanto e juvenil) assim como o primeiro ano da categoria adulta. Depois de lá joguei no Mackenzie, três [temporadas](https://blog.esportudo.com/10-figurinhas-brilhantes-da-temporada-regular-da-nba) no Praia Clube, uma no Pinheiros e agora estou no Fluminense”.

Letícia teve passagens marcantes pelas seleções de base. “Fui convocada duas vezes para a juvenil, disputando um Sul-americano e um Mundial. Além disso, também tive uma convocação para a Seleção de novas e duas para a adulta". A meio de rede descreve as experiências como surpreendentes. “Foram convocações muito legais, mas pra falar a verdade eu não esperava muito. Eu tinha feito umas boas Superliga mas não achava que era o suficiente, mas foram experiências bem boas, fiquei muito feliz”.

## **A cabeça de uma menina**

“Eu saí de casa muito cedo, eu sentia muita [falta](https://blog.esportudo.com/descaso-ou-falta-grana-a-dura-realidade-do-futebol-feminino-no-brasil) de casa, no início foi bem complicado, eu era tão novinha...As coisas foram evoluindo tão rápido! Eu jogava no infanto, já me chamavam pro juvenil, do juvenil já me chamavam para o adulto”. Foi essa evolução que mais a motivou. “Foi isso que me fez ficar firme”.

A derrota e a vitória mais marcantes da carreira de Letícia aconteceram na categoria juvenil. “Olha vou te falar, acho que a derrota mais sofrida até hoje foi no Mundial Juvenil, a gente vinha muito bem na competição, nos apontavam como umas das favoritas para ganhar o título. Mas na semifinal contra Republica Dominicana a gente perdeu, e perdeu feio, foi um jogo horrível. A gente voltou para o hotel acabadas, e pior, no outro dia já tinhamos que disputar o bronze. Nem treinamos porque a gente só tinha chorado a noite inteira", desabafa a jogadora.

Mas logo após essa derrota marcante, veio uma surpreendente vitória que ficou gravada em sua memória. “Bem, após aquela derrota, a gente foi para a [disputa](https://blog.esportudo.com/eurocopa-disputas-dentro-e-fora-do-campo) de terceiro e quarto contra a Holanda. No início foi muito complicado, estávamos perdendo de 2 x 0. Aos poucos reagimos e empatamos em 2 x 2. Levamos o jogo para o tie break. Mas daí, no tie break, novamente elas jogaram melhor e a gente estava perdendo por 14 a 11, mas viramos o jogo e conquistamos a medalha de bronze. Foi uma das melhores sensações que eu já tive”, conta a atleta.

## Renovação na Seleção feminina

Segundo a central, essa Superliga tem ajudado muito para a renovação do voleibol brasileiro, por ser uma Superliga com menos estrelas. “Acho que isso vai ajudar muito o Zé Roberto. Tem muita gente boa tendo oportunidade de jogar. Muita menina nova que estava se destacando, como revelação, mas que talvez fosse ser reserva numa situação normal, mas agora ta com a oportunidade de estar jogando, de estar na quadra”. Letícia aponta que o caminho não vai ser fácil, mas lembra que muitas jogadoras estão aparecendo. “Tem surgido ótimas centrais, ponteiras, opostas. As levantadoras promissoras estão todas jogando, então acho que esse ano a [Superliga](https://blog.esportudo.com/times-favoritos-ao-titulo-da-superliga-masculina-2016-17-veja) vai ajudar muito o Zé a observar e fazer suas escolhas. Acho que, pelo fato da renovação ter sido segurada pela comissão técnica, o caminho vai ser difícil no início, as seleções se renovaram pouquíssimo, mas elas vão encontrar o caminho”, disse a jogadora.

## **Jogar vôlei em um clube de futebol **

Crédito foto: Divulgação / CBV

“Estar no Flu ta sendo muito legal, eu não tinha noção do tamanho que era o Fluminense, não sabia que a torcida do [futebol](https://blog.esportudo.com/jogadores-do-futebol-sul-americano-que-cairiam-bem-no-seu-time) é a mesma do vôlei, é o mesmo tudo, o clube é enorme! Ta sendo demais, a torcida é incrível, é surreal, é muita visibilidade!”. Muito animada, a jogadora lembra que a modalidade em alto nível é coisa nova no clube. “Ainda é o primeiro ano deles, e é claro, em termos de logística, não é fácil. Então tem muita troca de experiência, e eles estão mandando muito muito bem”. Perguntada sobre o impacto que esse time tem nas categorias de base do Fluminense, Letícia é otimista. “Para a base, com certeza é uma inspiração. Até porque aqui no Rio só tinha o Rexona, né? E pra você chegar no Rexona é sempre um objetivo mais difícil de se atingir, parece uma coisa mais longe, quase impossível. Mas agora ja tem o Flu que veio pra brigar. Acho que está sendo muito bom, não só para a gente, mas para o esporte carioca no geral”, comentou.

Leticia lembra que logo de cara, o Fluminense [quebrou](https://blog.esportudo.com/futebol-interior-apos-vitoria-na-copa-paulista-marcelo-dias) a hegemonia do Rexona no campeonato carioca. “Ta aí uma outra vitória, mais recente, que me marcou muito. A vitória no carioca no tie break contra o Rexona foi um momento muito especial para o time e para mim”, explicou.

## O maior sonho

“Meu maior sonho...Olha, é uma pergunta bem forte. Claro que eu posso falar que é estar em uma Olimpíada, esse é o sonho de qualquer atleta, mas eu sempre rezo e torço para que a minha carreira seja muito gostosa, que eu tenha muito prazer, em todos os anos dela. E eu sempre tive muita sorte em termos de clube, sabe? [Sonho](https://blog.esportudo.com/corinthians-itaquerao-era-um-sonho-mas-virou-um-pesadelo) muito em continuar tendo essa sorte. Tem vezes que a gente pega um time que não encaixa, que não se da bem, mas eu sempre tive sorte disso nunca acontecer comigo. Meu sonho é uma carreira gostosa, não precisa ter brilho, não precisa ter nada demais, eu só quero é estar feliz. Jogar em time que me acolhe, poder ajudar", explicou a jogadora. "Eu sonho realmente com isso”, finalizou.

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