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NBA: Os desafios dos Lakers sem Kobe Bryant na temporada 2016-2017

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Crédito foto: Reprodução Twitter

Após vinte anos, o torcedor do Lakers vai assistir pela primeira vez uma temporada do time sem a presença de Kobe Bryant em seu elenco. Muitos que acompanham não só o time de Los Angeles, mas a NBA em si, sequer eram nascidos quando Kobe fazia seus primeiros pontos na liga diante do New York Knicks no Madison Square Garden, ginásio que anos mais tarde Kobe anotaria 61 pontos em um dos seus jogos mais memoráveis.

Kobe veio do High School (equivalente ao ensino médio no Brasil) direto para a NBA, algo que a liga não permite mais, e apesar do enorme talento foi apenas a décima terceira escolha do draft de 1996, considerado um dos melhores da história da liga, que pertencia ao Charlotte Hornets. Sua pouca idade (17 anos) foi uma das razões para doze times deixarem de escolher Kobe antes do Hornets, preferiram ir em escolhas mais seguras como, por exemplo, Allen Iverson, Marcus Camby e Ray Allen, que tiveram carreiras sólidas na faculdade.

O Nets, que tinha a oitava escolha, ficou muito perto de o escolher, mas o agente de Kobe teria informado a equipe que o jogador não iria jogar na franquia, ameaçando até atuar na Europa caso não fosse parar na equipe que desejava – o Lakers.

A 13ª escolha com o Hornets então criou o cenário perfeito para o time de Los Angeles, eles precisavam de um pivô e o Lakers tinha Vlade Divac, além de conseguir Bryant isso abriria espaço (salário) para a franquia trazer Shaquille O'Neal do Orlando Magic

O Impacto de Kobe Bryant no clube

Shaq foi o nome não só da franquia, mas como da liga por alguns dos anos que se seguiram, e Kobe foi ganhando espaço aos poucos. Em sua segunda temporada foi titular do All-Star Game – mesmo sendo reserva no time – no ano seguinte Phil Jackson, seis vezes campeão pelo Chicago Bulls, foi contratado pelo time angelino e Kobe virou titular, jogando mais de 35 minutos por jogo, além disso, este trio deu três títulos seguidos ao clube.

Após perder no ano seguinte a semifinal da Conferência Oeste para o San Antonio, o time se reforçou com Karl Malone e Gary Payton, formando o que parecia ser uma equipe imbatível, mas que acabou decepcionando ao perder para o bem menos badalado Detroit Pistons.

A derrota deixou em evidência a guerra de egos entre Kobe e O’Neal, o que culminou com a troca do pivô. A partir daí, o Black Mamba se tornou sem nenhuma dúvida a referência da franquia, mas sem Shaq e Phil Jackson o time passou por uma reestruturação e amargou algumas temporadas irregulares – sem sequer passar da primeira fase dos playoffs –, até que no final de 2007 em uma troca inesperada o time trouxe Pau Gasol.

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Em seu primeiro ano, o espanhol ajudou a equipe a chegar nas finais, perdendo para o rival Boston Celtics. O título, no entanto, viria nos dois anos seguintes, com Kobe ganhando um prêmio de MVP (2007/08). Depois de duas temporadas perdendo de forma impiedosa (0x4 para o Dallas e 1x4 para o Oklahoma) em semifinais de conferência mais uma vez, o clube tentou formar um time cheio de estrelas ao trazer o pivô Dwight Howard e o armador Steve Nash, o tombo veio e foi feio.

Como Kobe Bryant preparou a torcida para sua despedida

Mesmo já tendo 35 anos na época, ele conseguiu renovar seu contrato com a franquia por US$24 milhões anuais em novembro de 2013, mantendo-se como o jogador mais bem pago da liga. Isso dividiu opiniões entre os torcedores e travou o orçamento da equipe, dificultando a formação de um time competitivo para os próximos anos.

No fim da temporada 2012-2013, Kobe teve uma lesão no tendão de aquiles e viu o Lakers tomar outra varrida, desta vez para o Spurs e na primeira fase dos playoffs ainda. Nos anos seguintes, mais uma lesão séria: desta vez no joelho e isso fez com que ele participasse de apenas 41 jogos (6 em 2013-14 e 35 em 2014-15), a idade avançada e a limitação que o corpo estava lhe dando fizeram com que o jogador anunciasse sua aposentadoria em 29 de novembro de 2015, desde então a temporada virou para o clube a turnê de despedida de Kobe.

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Crédito foto: Reprodução Twitter

Em cada ginásio que se apresentava pela última vez recebia uma série de homenagens, que culminou com o último jogo em sua casa, o Staples Center, contra o Utah Jazz. Vale lembrar que essa acabou sendo a pior temporada da história da franquia, com apenas 17 vitórias em 82 jogos, mas nesse dia todas as derrotas foram esquecidas em uma partida carregada de emoção que Kobe deu sua última dança, seu último show. Como nos seus melhores momentos dominou a partida, fez 60 pontos, com os últimos três minutos fantásticos, levando todos a loucura e as lágrimas, um final que nem mesmo na terra do cinema parecia possível acontecer.

Este jogo foi também o fim de uma transição lenta que Kobe deu ao torcedor, considerado por alguns como o maior jogador da franquia. Em seus últimos anos, prepararam os fãs que já se acostumaram a assistir as partidas sem a sua presença em quadra ou com Bryant desgastado, sem que o time tivesse perspectiva de voltar a uma final, a participar dos playoffs, foram várias pequenas despedidas.

Novo começo com desafios e outra atitude

A era do time de um jogador só acabou, o time não joga mais em função de uma peça, aliás, finalmente o time tem um plano de jogo, algo que Byron Scott não conseguiu dar em seus dois anos no comando. Os péssimos anos com Scott ao menos ajudaram a equipe a ter uma boa base hoje vinda do draft, D’Angelo Russell, Ingram, Randle, Clarkson e Larry Nance Jr. formam a base da qual se aposta o futuro da franquia. Além deles, o pivô Ivica Zubac pode se tornar em médio prazo um jogador útil na rotação do time.

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Crédito foto: Getty Images

Esta base é muito jovem, apenas Lou Williams e Nick Young no elenco jogam há mais de quatro temporadas na liga – além do brasileiro Huertas com 33 anos que construiu sua carreira na Europa – e durante a offseason a diretoria conseguiu trazer a experiência que faltava.

Viram Calderon em um bom movimento, onde o clube se aproveitou de uma troca entre Knicks e Chicago, Deng e Mozgov, boas aquisições considerando o elenco, só a lamentar o preço a que vieram (72/4y e 64/4y respectivamente) talvez no desespero de fechar com algum jogador antes que ficasse sem opções o clube assinou com os dois por contratos difíceis de se defender.

Além da formação de um time mais homogêneo a vinda do também ex-jogador da franquia, Luke Walton, trouxe outra mentalidade para a equipe, uma visão mais moderna do que é o basquete hoje, voltada ao desenvolvimento dos jovens talentos do time, o não sacrifício de peças importantes apenas para ter estrelas. Como disse Dlo: “o rebuilding não será usado como desculpa, nós vamos passar por um rebuilding e ainda sim procurar maneiras de se ganhar os jogos”.

Use a velocidade Luke

Na temporada passada o clube foi um dos piores times na defesa, permitindo 106.9 pontos por jogo, e deixando o adversário acertar 47% dos seus arremessos, com uma maior porcentagem para os de dois pontos. No quesito eficiência na defesa a equipe ficou em último. A transição lenta para a defesa foi um dos motivos para essas easy baskets, algo que Byron Scott não conseguiu corrigir no tempo em que era treinador.

Outra dificuldade era acompanhar os pick and rolls dos oponentes. Os atletas de Los Angeles não acompanhavam a movimentação e isso resultava em um grande número de open shots. A missão de Luke não será fácil, terá que ser ajustada dentro de um sistema, pois individualmente jogadores como D’Angelo, Randle e Clarkson mostraram muita deficiência nesse setor. As aquisições de Mozgov e Deng podem acrescentar algo, apesar do último estar longe de ser o grande defensor que já foi um dia, mas quem vem mesmo criando fortes expectativas nesse sentido é Ingram.

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Crédito foto: Getty Images

Já no ataque, o segredo parece estar em apostar nas características dos jogadores e na visão do que vem acontecendo na NBA. Muita explosão, velocidade e bolas de 3 pontos. Nos jogos da pré-temporada pode-se ver muitas das jogadas e estilo de jogo do Golden State Warriors, time que Luke foi assistente do técnico Steve Kerr, em vídeos é possível acompanhar algumas delas. Muitos screens feitos para que se ache um jogador livre para o arremesso longo, pouca retenção da bola na mão de um só jogador, movimentação constante aproveitando a velocidade dos jovens jogadores, e troca de passes até que se ache alguém em boa condição para o chute, o que pode e deve aumentar o número de assistências do time, último nesse quesito ano passado, o líder Warriors teve quase 900 assistências a mais.

Empolgar, mas não muito!

A expectativa para a temporada 2016-17 é sem dúvida bem maior que nos anos anteriores, apenas os mais otimistas sonham com algo como ida aos playoffs, não é essa a realidade atual da franquia, não seria surpresa ficar em último na conferencia novamente, mas desta vez há um sentimento que está se fazendo algo certo, que existe um planejamento pensando num futuro em que a equipe possa ser contender de novo. A pressa tem que ficar nos pés dos jogadores, o torcedor vai ter que entender e ter paciência, enquanto isso deve aproveitar uma temporada em que pelo menos poderá ver seu time jogando um basquete condizente com o momento, tanto em questão de ter se renovado taticamente como da qualidade do seu elenco, e terá claro que se acostumar a ver o time sem Kobe.

Pequeno glossário
Draft: Processo de escolha dos jogadores das universidades pelos times das ligas profissionais.
Offseason: período entre o último jogo das finais de uma temporada e o primeiro da temporada regular de outra
Rebuilding: processo de remontagem de um time, de reestruturação.
Easy baskets: cestas fáceis de fazer, sem muita marcação.
Pick and roll: Lance em que um jogador do ataque faz um bloqueio em um adversário com a intenção de se livrar da marcação e assim receber a bola do seu companheiro que a conduzia.
Contender: equipe que almeja o título. Favorita.

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Categorias: Basquete, NBA, Kobe Bryant, Lakers

Vlad Galli

Escrito por Vlad Galli

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