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Leandro Martins faz uma análise crítica do vôlei de praia no Brasil

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Crédito foto: Reprodução / Facebook

Aproveitamos o sucesso e popularidade do Mundial de Vôlei de Praia para falar um pouco desta modalidade no nosso país. Se comparado com o de quadra, o de praia tem menos estrutura de clube, treinamento e claro, dinheiro. Fica então complicado continuar mantendo o Brasil no topo do mundo. Criar e manter atletas de alto nível não é tarefa fácil. Muitos técnicos das categorias de base procuram atletas prontos, da quadra e altos. Falta de ética e moral são comuns nesse meio. Mas há quem faça diferente. No meio de um mar de lama, a Evokar, instituto que através deste esporte de praia tem seus objetivos voltados para as categorias de base e no alto rendimento, transforma vidas e ganha títulos.

Confira nossa entrevista com Leandro Martins, o criador, técnico e “pai” dos atletas de um Instituto vencedor e que faz no mundo, um lugar melhor.

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Crédito foto: Reprodução / Facebook
(Leandro Martins: quarto da esquerda para direita)

Você pode contar um pouco como foi o início da Evokar? Quais são os princípios e valores?

Olha, antigamente eu trabalhava num clube aonde quatro alunos foram fazer teste para participar da equipe. O pessoal do clube não aceitou quando eu aprovei os quatro porque eram de comunidades e o clube só trabalhava com classe A e B e não atendiam esse público.

Eles iam me demitir porque eu não aceitei a ideia de não trabalhar com esse público. Quando eu fui pegar minha saída, perguntaram como eu poderia continuar trabalhando e eu falei que só ficaria se eu conseguisse atender a esses quatro atletas. Disseram, então que eu poderia atender, mas não poderia usar as bolas do clube nem trabalhar com a luz acesa.

Eu aceitei, até porque precisava pagar minha faculdade. Comecei a fazer o trabalho lá e eles deram resultado, ficaram em terceiro lugar no Circuito Carioca e começaram a chamar a atenção do clube. Daí a gente começou a trabalhar com as bolas melhores, mais novas. Liberaram para a gente treinar na parte da tarde. Eu continuei lá por um tempo, mas os meninos nunca foram bem-vindos no clube. O clube criou equipes A, B e C e os meninos de comunidades nunca chegavam até a equipe A, até porque o clube cobrava mais financeiramente desses atletas. No fundo, eles não queriam que os alunos de lá tivessem contato com os alunos da comunidade.

Conversando com uma das mães dos alunos, a Claudia Pasqualini, da casa do Pão de Queijo, ela me ajudou a sair do clube a abrir a Evokar. A gente trabalhava na praia, ela ajudava financeiramente para conseguir dar o treino e foram surgindo vários outros atletas. Quando eu saí do clube, já cheguei na praia com 22 atletas.

Atendemos cerca de 500 crianças das comunidades Rio das Pedras, Cidade de Deus e Gardenia Azul e algumas foram se destacando na competição. A gente jogava o Carioca, atingiu, com muita dificuldade, o índice para o jogar Brasileiro. Com o único apoio da Claudia, a gente dava um jeito de ir, mas depois foi ficando apertado porque eram muitos atletas e a gente sempre ficou em busca de apoio.

O grande diferencial da Evokar é que não é um projeto assistencialista, a gente vai nas casas dos atletas, via a alimentação, conversava com a família, ia nos colégios, falar com os diretores, professores e a gente ficava de olho nas notas. Durante o período que eles ficavam na Evokar sempre houve esse acompanhamento. Em 15 anos de funcionamento, eu sempre fui voluntário, o Julio Cesar que me ajudou a legalizar o projeto também é voluntário, o projeto vai adiante com amor que a gente injetou nele, tanto eu como a Claudia Pasqualini quanto o Julio.

Sua trajetória como técnico, de onde veio, o que você ama hoje no seu trabalho e quais são as perspectivas futuras? 

Eu jogava no indoor antes e conheci a Jaqueline Silva que me trouxe para a praia. Eu estava terminando o segundo grau e comecei a auxiliar em algumas aulas de professores. E comecei a ser responsável por algumas aulas quando os professores faltavam ou viajavam.

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Crédito foto: Reprodução / Facebook

Momentos mais difíceis da Evokar, os desafios hoje em dia para um técnico de um projeto como esse. 

Quando você trabalha com essa parte social, muita gente acha legal, bonitinho, te da parabéns, mas na hora do investimento não investem. A gente se vê ali sozinho. Você tem que se acostumar em trabalhar, apesar da ingratidão e falta de reconhecimento. E você tem que saber lidar com isso. Sempre entender que o que você está fazendo é entre você e um outro hemisfério, entre você e Deus. E não para as outras pessoas, senão você vai viver magoado. O que você tem que ver é a transformação que você teve na vida das pessoas e isso te deixa em paz, em tranquilidade.

A Evokar é dividida em vários braços:

- Aprendiz: crianças e adolescentes de comunidades carentes;

- Brasileiro Evokar: se preparando para ranquear para jogar o Brasileiro;

- Talentos do Vôlei: alto rendimento, de todos os estados que fazem parte da elite.

O momento mais difícil foi quando eu tive que decidir. A gente estava sem patrocínio financeiro nenhum e depois eu perdi o apoio do lanche, e é impressionante ver que um projeto social sem lanche não funciona. Muitas vezes aquela refeição era a única do dia. Quando eu perdi isso eu não consegui mais sustentar os três braços ao mesmo tempo. Tive que optar por um só. E optei pelo talento, porque tem mais visibilidade e achei que seria uma forma de resgatar o projeto aprendiz. Mas isso não acontece há cinco anos, não consegui resgatar e hoje em dia essa parte do projeto está parada. Ficou difícil a manutenção, então esse foi o momento mais difícil. Não foi por mérito nem nada, foi por falta de dinheiro.

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Crédito foto: Reprodução / Facebook

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O que falta na estrutura do vôlei de praia profissional no país hoje em dia?

O que mais falta aqui é ética. Existe um investimento, mas ele não é repassado da forma como se deveria e isso atrapalha o trabalho de todo mundo. Acima de tudo, o que falta mesmo é a ética. Ética entre atletas, entre os técnicos, entre os dirigentes da Federação. Com os recursos que se tem para o esporte, daria para fazer coisas bacanas e o esporte poderia crescer cada vez mais.

O que acontece é que as vezes surge um talento ou outro e isso oculta a nossa dificuldade. Isso acontece hoje bastante no feminino, a maioria dos atletas são trabalhados, não são natos. Eles aproveitam para falar de renovação, mas a renovação fica a desejar. Falta investir nos que estão focados nos centros de treinamento.

A ética dos atletas entre si é cada vez mais difícil. O vôlei de praia tem uma característica bastante diferente se compararmos com outros esportes. Aí acaba acontecendo uma inversão de valores. As vezes os atletas acabam mandando nos técnicos, porque eles, às vezes, dependem dos atletas. Então fica muito difícil. A falta de ética é um dos maiores problemas.

A ética é faltosa no profissional, no amador, mas até na categoria de base. Quando você é técnico você tem que mostrar o exemplo. Você está formando um indivíduo. Têm até alguns técnicos que nem deveriam ser chamados de técnicos.

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A Evokar não é só uma equipe, é muito mais, é uma real alavanca para mudar a vida de jovens desprivilegiados: isso faz uma diferença na forma como vocês trabalham e se empenham?

Faz. A gente cobra muito a questão da postura, a questão do indivíduo mesmo, dos atletas. É importante a questão dos estudos também. A Evokar acredita que o atleta vai ser um espelho no futuro para outras crianças e adolescentes. Hoje em dia têm alguns atletas que são até uma vergonha, que não funcionam como espelho para ninguém. Eles são formadores de opinião e não mostram isso de uma forma adequada. Na Evokar a gente tenta ficar de olho nas redes sociais, na postura dentro e fora de quadra, nos estudos, na alimentação.

A gente é um projeto pioneiro e até hoje não temos concorrente, infelizmente. Queria eu ter um concorrente porque seria uma oportunidade para outras crianças.

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O que você repara em um atleta com potencial? O que o destaca em relação aos outros? É um olhar, uma paixão, dedicação?

Hoje um atleta ele já pisa na areia diferente. Na Evokar, a gente não vê a altura como uma questão de parâmetro como outros técnicos. A gente acredita em talento e trabalho. Nosso projeto tem o Ramon, que é multicampeão brasileiro e ele é um exemplo disso!

Em breve, traremos com exclusividade uma entrevista com o Ramon, atleta da Evokar, ex-defensor da Seleção Brasileira nas categorias de base e atual competidor do circuito Banco do Brasil.

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Categorias: Vôlei, Brasil, Técnico, Análise, Críticas, Rio Sport Center, vôlei de praia, leandro martins

Alexandre Muller

Escrito por Alexandre Muller

Carioca, ex-atleta de vôlei de praia CBV, atualmente jogando vôlei na liga universitária da França.

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